segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

Viagem em "Familia".

Era um feriado qualquer quando uma família resolveu por o pé na estrada para sair um pouco da rotina.


A família era grande, e talvez fosse até normal, mas não no meu ponto de vista.
Ela tinha problemas, conflitos e algumas diferenças, para alguns relevantes, mas para outros...

O pai, um homem sensato, sério, cauteloso e tranquilo, mas, às vezes, acho que ele ignorava o que acontecia ao seu redor para não sofrer, pois no fundo eu sentia que não era ali que ele queria está.

A mãe, uma pessoa fútil, falsa, muito falsa, pra mim, ela era mais uma dondoca rica nesse mundo.

Se ela se importava com alguém esse alguém era os filhos o marido e a mãe, com os outros ela se fazia de boa moça para melhor passar.

Eles tinham três filhos, cada um com uma personalidade diferente.

A filha mais velha era uma menina meiga, doce, amável e ainda era uma criancinha, acho que ela era diferente, não era igual à mãe... Ela se importava com as pessoas, principalmente com a irmã bastarda (irmã por parte de pai). Sempre que podia, estava ao lado da irmã, a admirava, dizia que quando fosse grande queria ser igual a ela.

O filho mais velho era um menino muito inteligente, esperto, vivo, brincalhão, gostava de mexer no computador, adorava jogar videogame... Ele era um menino muito independente às vezes preocupava os pais por causa dessa independência, até mesmo porque ele era só uma criança.

O filho mais novo tinha uma personalidade forte, um temperamento difícil, era bravo, mas no fundo era um bom garoto. Acho que ele era bem parecido com a mãe, tinha os mesmos gestos e manias...

Já ia me esquecendo da filha bastarda, ela era uma menina de coração bom, acreditava nas pessoas por pior que elas fossem e acreditava que um dia tudo ia mudar.

No instante que os vi juntos senti que ela não era feliz naquela família, que ali não era seu lugar. Ela discordava da madrasta, de algumas atitudes do pai e se queixava por esta longe de quem ela realmente se importava, não é que ela não se importava com a “família”, mas ela não se sentia feliz ali, ela, várias vezes falava pra irmã que queria estar com as amigas, preferia ficar em casa a viajar com eles, pois não se sentia à vontade, sentia que aquilo não era sua família.

A viagem foi longa, eles foram pra uma cidade litorânea qualquer se hospedaram em algum lugar caro, mas como dizem, todo rico é mesquinho, e eles faziam de tudo pra seguir esse ditado.

 Eu não entendia como aquela família vivia daquela maneira, cheia de máscaras, não falo das crianças, pois as crianças eram puras e inocentes, falo dos pais, eles passaram a viagem sem conversar, sem contar algo de bom, só calados e olhando pra estrada, olhando pro vazio.

Acho que, quando resolvemos casar com alguém, é porque realmente amamos, nos identificamos, temos coisas a compartilhar, temos a união, a tolerância, a amizade, sim, amizade algo que não pode faltar em um relacionamento que se preze, se não há, porque se casar? Para viver discordando um do outro? Para não se tocarem verdadeiramente? Se em um futuro não tão distante tudo acaba, e deixam apenas lembranças, filhos frustrados e algumas marcas na nas nossas vidas.

Como eu dizia, a família chegou ao seu destino, o lugar era lindo, tinha uma piscina grande de água limpa e um parque para as crianças brincarem. As crianças divertiam-se como podiam, inventavam brincadeiras novas para passar o tempo.  A filha bastarda já era grande, não tinha muito para fazer, sem companhia, era sozinha, tinha apenas seu celular com algumas musicas que ela tinha gravado antes da viagem, já prevendo como tudo ia acontecer.

Os dias passavam e ela ficava sentada de frente à janela ouvindo música e olhando para o mar. Lembrava de tudo e de todos, vinham lembranças de um tempo bom, mas também vinham lembranças não tão boas. Ela chorava ora por saudade, ora por tristeza, ora por alguma coisa acontecida no passado que ainda a perseguia. Por mais que ela tentasse pensar em outra coisa, ela sempre voltava pra a mesma lembrança, para o mesmo pensamento.

Eles passaram um mês nesse lugar maravilhoso, mas tudo que eles faziam não agradava a ela. Os filhos, já cansados, pediam pra voltar pra casa, o menor chorava, pedia pra voltar, os pais mais uma vez fingiam que estava tudo bem, que lá estava incrível, que se pudessem passavam mais alguns dias. Os filhos ficaram doentes, acho que era por causa da imunidade baixa, pois eles não queriam comer, então os pais preocupados com essa situação levaram-nos para o medico que passou remédios e mais remédios.

Os dias passaram e chegou o dia de voltar pra casa, então eles arrumaram as malas e partiram. Quando chegaram à sua cidade foram logo deixar a primogênita do pai. Ela não aguentava mais aquela família, a filha mais velha a abraçou e disse que sentiria a sua falta, a filha bastarda retribuiu e disse que qualquer dia aparecia pela casa do pai, despediu-se de todos e entrou na sua casa. Eles se foram.


Raíssa Garcez.